sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

Breccia, Poe e Mr. Valdemar




Alberto Breccia nasceu em 1919, no Uruguai, e aos três anos mudou-se pra Argentina, onde viveu até seu falecimento em 1993. O homem foi um dos gigantes dos quadrinhos. Teve o raro privilégio de ter sido reconhecido em vida. O que se tem visto aqui nesse blog, adaptando Poe pra hq, é apenas uma gota da sua caudalosa produção , já na fase da velhice, com editores garantidos pelo mundo ocidental afora e o sólido nome de artista inovador muito bem firmado. Começou a trabalhar, com hq de humor, ainda em 1936. Logo,contudo, esse tremendo mutante se viu atraído pela força das hqs de aventura de outro gigante, que foi exemplo formador para diversos grandes quadrinhistas: Milton Caniff, o "papa" do "realismo" da hq de aventura, primeiro grande rei do p&b expressivo,aventuroso. Ele dizia não ser importante desenhar um cotovelo onde ele fica, mas onde parece estar. É citado por desenhistas tão díspares quanto John Romita pai e Hugo Pratt. Breccia, contudo, além de ser um excelente desenhista, como os outros, é o mais inquieto dos três, e de mais uns vinte outros, que daria pra citar, sempre dando o famoso "passinho a mais". Diga-se de passagem, cultivou longas parcerias com os principais roteiristas de seu tempo, notadamente o hoje também legendário Hector Germán Oesterheld , criador de "El Eternauta" com Solano López; e de mais um renca de grandes clássicos da hq argentina, que não canso de qualificar de majestosa. As pgs dessa adaptação de Poe que coloquei aqui hoje são da belíssima adaptação de " O Estranho caso do Sr. Valdemar", conto brilhante (e qual dos de Poe não o é?) em que se hipnotiza um moribundo e com isso seu falecimento se torna muiito mais lento, e por fim uma libertação... Breccia a fez junto com o roteirista Guillermo Saccomano, que entendeu: cada imagem tinha que ser muito mais lenta do que o costumeiro, uma vez que a duração longa demais desse morrer é o aspecto macabro da narrativa. Claro que Breccia realizou um trabalho e tanto. A uma primeira vista, seu traço parece quase humorístico, mas uma vez que a pessoa começa a ler, percebe o quanto da adaptação depende da força dessas imagens distorcias, desconfortáveis,que chegam a dar vontade de chorar...Eu acho que tanto essas hqs a partir de Poe ou as outras a partir de Lovecraft(sob roteiro de Norberto Buscaglia) teriam mais apelo de vendas que o recém lançado volume de Perramus, por imensa que seja a capacidade de caricatura do mestre e por excepcional que seja o texto do Juan Sasturain... Esse Poe quase mudo que Breccia realizou está do outro mundo, mesmo! No próximo post,haverá mais alguns dados sobre Breccia, e, é claro, mais páginas de seu encontro com Poe...Evoé!!

sábado, 21 de Novembro de 2009

A Máscara da Morte Rubra- Breccia volta a Poe!!!




Caramba!! É difícil acreditar, mas finalmente hoje RETOMO esse bendito blog!! Cheguei a duvidar... Manter funcionamento no meio da tempestade não é fácil!! Dois compromissos de txt (tempestade boa) e depois sete dias no hospital porque diabético só pode tomar antibiótico na veia (tempestade ruim), me afastaram geral daqui...Um machucadinho besta, mesmo, inflamou! Isso me custou um bom tempo no estaleiro.. Enfim! Desanimar é uma palavra que não conjugamos bem, aqui no vocabulário doméstico... De modo que hj voltei!! Trago a idéia , agora mais realista, de fazer mais ou menos um post por semana... Contudo, existem alguns compromissos antigos a saldar, e o mais pendente deles é a finalização da nossa comemoração dos 200 anos de Poe, o nosso grande Edgar Allan, precursor do conto de terror, do conto policial e da FC...entre outras coisas!!! Tenho discutido, sim, sua presença nas hq... Ao longo de todas as postagens feitas sobre adaptações de sua obra para HQ, discuto o rendimento sempre melhorado das adaptações, quanto mais recentes elas sejam... e não há dúvida, embora os trabalhos da Warren comics, nos anos oitenta, tenham sido ótimos (Berni Wrightson, Corben e os outros), Breccia, hmmmm, é Breccia. Ele o abordou , depois daquele "Coração Revelador" em p&b, que já comentei aqui, em magníficas hqs coloridas do finzinho dos anos 80 e comecinho dos 90, pouco antes de falecer. Aqui já era, portanto, o Breccia bicho solto, que se aproximava de Poe. Não tinha que prestar contas a ninguém, e as hqs saíram logo, num monte de países de uma vez, França incluída. Diferente do que fez ao abordar a obra de Lovecraft, quase não trabalhou com texto nenhum ,fazendo adaptações muito concisas e quase mudas. O seu humor de velhinho que já viu de tudo se infiltrou nos textos do tão romântico
(e eternamente jovem)Poe com um resultado curioso e inesperado. Confiram os convidados da festa nessa adaptação linda da "Máscara da Morte Rubra"! Vejam o contraste entre esses estróinas, e o penetra pestilento que vem trazer um pouco de realidade aos supostamente protegidos e bem-de-vida presentes na festa... Também dá pra notar não só o excelente trabalho de cores do mestre, como seu uso muitíssimo eficiente do aparato narrativo das hqs, do seu ritmo, para conseguir, em poucas imagens, a adaptação completa do sentido que Poe imprimiu a seu conto... Adaptar literatura pra hq exige é esse tipo de fidelidade, às intenções do autor, não ás suas palavras!! Do mesmo modo, por mais que Poe não tenha falado em gente pelada, ele com certeza nesse conto falou em deboche, no comportamento debochado da nobreza...e Breccia estava trabalhando já numa época bem mais recente, e soube trazer humor ao gótico do contista sem descaracterizar suas intenções... Evoé!! sim, é claro que continua, esse mês ainda!!!

segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

Sobre a Bienal do Livro

A demora na execução dos planos contribui pra que não saiam assim como se planeja...a minha demora em continuar a comentar o trabalho que Breccia realizou a partir de Poe vem dwe que vou ter que fazer uma longa sessão de escaneamento das pgs (coloridas, coloridas, sim!!) que vão ilustrar o trabalho que tenho feitoo já anotando na minha releitura das hqs...mas escanear muitas páginas é um processso que demora, vou ter que fazer uma sessão só pra isso, e a organização às vezes falta... a´o prazom paga!!! Pelo outro lado, a gente tem vontade de fazer umas outras coisas, acaba que elas também fazem falta... então hj aproveito a chance!!Não consegui ir na Bienal no principal dia, na minha concepção, quando os gêmeos Moon e Bá estiveram dando uma palestra, acompanhados pelo autor de outro megalivro americano de hq, o de Dash Shaw, cujo traço não é o de nenhum Chris Ware, longe disso, mas dizem que a hq arrebenta, como o "Retalhos" do Craig Thompson, ambos publicados pela Cia. das Letras. Esta entrou no ramo realmente muito bem, com esse livro e os outros que vem lançando, tudo cada calhamaço danado, que está tendo comprador!! O título do livro do Shaw me escapa, mas é mais um camarada mostrando as intimidades de sua família... os americanos descobriram, de fato, a autobiografia!!! Nada contra o gênero, mas além da qualidade na execução do trabalho, dado que é essencial, o camarada tem que contar com uma história pessoal bem interessante!! Todos os praticantes disso, de Crumb a Thompson, certamente as têm... mas num dá pra querer isso de todo mundo!! A invenção, a contação de cascata, têm seu espaço garantido na minha estante!! No dia que fui na Bienal, que foi o seguinte, apesar do excesso de gente, consegui estar com vários amigos que trabalham no ramo e atualizar impressões, além de comprar várias coisas bacanas...Afinal, já até tuitei que voltei da Bienal cum Roy Crane e Paul Pope... O livro desse último, "The Ballad of Dr. Richardson", conta uma história simples e comovente, que me fez pensar num Sherwood Anderson mais cosmopolita.. Sim, as ligações entre literatura e hq são mais fundas, mais férteis do que pode fazer pensar a atual tendência das adaptações literárias... Não sei se Anderson escreveu novelas, mas se existem, devem ser como essa hq do Paul Pope, ligada à profundidade e à singeleza dos sentimentos e oportunidades que, por vezes, se colocam na vida das pessoas... não precisa ser verdade pra me comover, não...ou, comon já disse Alan Moore, "Isso não é mentiura! É ficção!" O gibi de Roy Crane já é a coletânea da participação do Capitão Cesar na segunda guerra. Bem mais denso do que eu esperava, é contudo aventura trepidante. Conta com aquele uso majestoso dos meios tons para conferir realismo a personagens e cenas criados com a simplicidade que só o domínio completo do métier pode dar... Sim, é um folhetim, mas nele morre gente a quem a gente tinha se afeiçoado...não é o típico, não!!! Roy Crane, pra mim, joga no mesmo time que Alex Toth, outro rei do traço conciso. É preciso dizer que Crane, no seu tempo, inaugurando a hq americana de aventura, teve bem mais sucesso comercial que Toth... Mercado burro é assim mesmo!!! Shakespeare foi teatro popular, Griffith foi cinema popular, é bom a gente se lembrar, e Roy Crane foi hq muito popular, inclusive, no Brasil, graças à sua publicação sistemática em "O GLOBO"... Mas o domingo não foi só das leituras. Além dessas compras, houve o encontro com alguns dos escritores atuais de vampirismo, o Humberto e a Martha em especial, com quem pude fofocar também um um pouco, curtindo o jeito ranzinza dele com tudo que é novidade... Outros que o conhecem também já comentaram comigo: acham engraçado o seu jeito mal-humorado com relação às coisas feitas por gente mais jovem... O negócio é o Dracula do Gene Colan, né isso?? Bem , conversamos por mais uns minutos, e aí só voltamos no domingo seguinte, quando consegui entrar na barraca da Comix,o que não tinha feito antes, e achar o belíssimo " O Guarani " do Luiz Gê, além de, num momento de sincronia blogático, o primoroso "Perramus" de Breccia, trazido pra portuga do Brasil pela Editora Globo!! Depois me disseram que o Télio Navega já tinha dado isso, eu não sabia!!Blogueiro desinformado existe também... Breccia em português, por uma editora brasuca!! Qual, ainda existe esperança pro mundo, nem tudo está perdido! O caso, então, vai ser que, quando eu terminar de falar de Breccia e Poe, vou poder ilustrar muitíssimo bem um post sobre a densidade literária, sim, das imagens que o velho mestre argentino consegue conjurar, com seu primoroso tango gráfico/narrativo, mesmo quando não se trata de adaptar texto de ninguém , só seguir o roteiro brilhante de um Juan Sasturain...mais alegria do que isso, é imnpossível achar...mesmo que, de antemão, se saiba : vou comentar também o ótimo off-Bienal do Baratos da Ribeiro ...Então, é isso, tá dito, tá tudo excelsior, ´nuff said, banoite, john -boy!!!

sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

El Corazón continua delator



Heh, heh... Coincidências são um assunto interessante... Notei que, no último post, falei em variações da grade de nove quadros, na adaptação que Alberto Breccia, nos anos sessenta, eu acho, fez do conto de Poe para hq. Também falei em inexatidão, incerteza quanto à concretude dos eventos da narrativa do "pobre" mordomo homicida maluco. Ora, não é que as pgs que usei pra ilustrar o post obedecem rigorosamente ao esquema da grade de nove quadros?! Não são variações como meu texto descrevia, mas, como na maioria das pgs dessa magistral hq, exemplos exatos da própria grade. Assim, há uma inexatidão entre texto e ilustração, entre o que digo e o que mostro! De modo que, para assinalar essa brincadeira do inexato em todos nós, resolvi acrescentar mais duas pgs da mesma hq; agora prestei mais atenção e dá pra ver o papel do aumento do número de quadros para a eficiência da narração. O rendimento da invenção de Breccia. Bacana!! A repetição do assunto também me dá a oportunidade de contar um caso pessoal. Tenho essa hq no acervo, de modo original. É enorme, as 11 pgs em serigrafia, cada qual parecendo um poster duro. Achei num sebo carioca da praça Tiradentes, nas priscas eras. Tenho até hoje. No dia em que comprei, depois de muito ir e vir ali por perto durante a semana, passei o resto da tarde driblando a chuva que ameaçava cair. Se ela me pegasse na rua, acabava com a hq, porque a dita está em pgs separadas em bem grandes, e saiu da loja enrolada nuns papéis soltos, por não caber em saco ou pasta algum, ali à mão...o cara me explicou que o negócio tinha uma capa noutro papel, que foi embora. Era velho... O tempo cada vez mais feio. Lembrei de um amigo, ex-colega de escola, que tinha escritório ali por perto, no centro da cidade. Ele morreu de rir com a minha chegada intempestiva no lugar, carregando aquele elefante de papel, e pedindo pra guardar ali até o dia seguinte. Curtiu muito com a minha cara, mas, comigo, leu a hq, num espanhol fácil, e concordou que era bacana, passando a prestar mais atenção em hqs. Evoé!

domingo, 6 de Setembro de 2009

El Corazón Delator- A chegada de Breccia!!!



Henry James, o imenso autor de "A outra volta do parafuso", sabia o que fazia. Sua genial novela é um desses textos tremendos que vão e voltam, às vezes sem solicitação maior, na memória da gente. Pode-se dizer que é um dos raros casos de texto assombrado, em si; ele monta tal clima em cima de uma intriga tremenda, a partir da possibilidade de que as crianças da família rica estejam de fato vendo fantasma. A tensão com que os eventos se desenrolam vem de que também podem só estar ficando doidas, sim, as ditas crianças, e nada resolve essa ambiguidade; ao contrário, a incerteza domina o texto até o final. Mais ainda, porque o clímax da narrativa acontece fora da narração, e depois do fim, ainda por cima. A novela fecha com a espera da confirmação final da suspeita. Sustenta-se com essa ambiguidade acerca dos acontecimentos de um modo que assombra, numa tensão, num tal suspense, que não se desmontam. O que é que isso tem a ver com a fantabulástica adaptação de "The Tell-tale heart" ( " O Coração Revelador"), que tem duas páginas ilustrando o post de hoje e saiu dos talentos do imenso Alberto Breccia, o patriarca da majestosa hq argentina? Tudo!!! A adaptação de Breccia é obra prima muitíssimo aclamada, que tira boa parte de sua força do fato de que se concentra em alguns elementos do conto de Poe e ignora diversos outros outros. Trata-se, como é claro, de trabalho de desenhista brilhante, trabalhando num astral minimalista. E além disso, trabalho de grande roteirista, grande narrador que era esse mestre da arte sequencial. Tem a ver com texto de Henry James pela escolha de mostrar os momentos de incerteza no texto de Poe. A hq inteira se sustenta com ambiguidade milimetricamente estudada. Quase tudo que é acontecimento concreto ficou de fora. Ainda que fora só de um dado quadro, como durante o estrangulamento do velho. A hq estuda , enquanto mostra, a incerteza do mordomo quanto à hora adequada para afinal matar o pobre velho, por causa de que precisa de ver seu olho "estranho" pra tomar coragem. Também estuda a incerteza ("Será que eles vão perceber? Será que estão ouvindo o que eu ouço?") do mordomo assassino, quanto aos policiais que o visitam ouvirem os batimentos do coração enterrado sob o assoalho da sala, até perder a calma e se entregar... Estuda como?- direis. Bem, através de um recurso típico das hqs, a repetição e convivência, com mínimas alterações, de várias "mesmas" imagens! Elas sugerem o estado de limite a que chega a mente do pobre diabo que fala, insistindo que não é doido, nem ficou... O peso psicológico dessa repetição, junto com o das implacáveis massas de preto escolhidas por esse virtuose que também sabia assustar pra chuchu com meios tons( que o diga Lovecraft, a partir de cujos contos também realizou algumas obras primas em meio-tom), é imenso!!! Além disso, ele diagrama as páginas todas de modo muito semelhante, com seu uso magistral da grade de nove quadros, no que antecipa recurso de outro gigante da narração sequencial, Alan Moore, por pelo menos uns bons vinte anos. Esta grade de nove quadros, pra quem desenha uma pg, deve dar bastante trabalho, por oposição à grade mais clássica, de seis quadros. Porque se trata de detalhar muito mais do que quando se faz só seis quadros de tamanho grande, no mesmo espaço. Mas Breccia , além do mais, é Breccia. Sua incerteza expressiva se filtra pra dentro de nossos olhos a partir do fato de que, apesar de basear a sequencia narrativa na grade de nove quadros, é raro, na hq, realizá-la por completo, sempre sugerindo, contudo. Desse modo, estamos sempre confinados, mas nunca do mesmo jeito. O ritmo dos acontecimentos é seguro, mas irregular. Não se sabe ao certo o que os outros sabem, mas é certo que sabem algo de muito importante. Muita coisa no terror de Poe, que não deixa de ser romântico, vem dessa incerteza quanto à insanidade do narrador. É a esse traço que Breccia dedica aqui o melhor de seus esforços, e não aos detalhes da trama. Por isso é que, por mais que Corben seja grande desenhista e narrador, e adaptador, o trabalho superior, mesmo, é o de Breccia, o Alberto. Nuff said!!

segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

Dafne e Gran Torino


Bom...quem é a Dafne, essa moça aqui do lado? Pergunta misteriosa do momento... Eu e o Allan não tomamos jeito... Temos algumas idéias bacanas em comum,algumas antigas, outras mais novas, sobre protagonistas possíveis para aventuras em quadrinhos que deixem fluir a ficção cientifica, meio carnavalesca, é claro, mas FC sim senhor, que nos inunda as veias... Então a gente inventa cidades, cria personagens, faz pesquisas... Apesar do som meio greco-romano do nome dela, Dafne se relaciona mesmo é com a mitologia, o calendário e a cultura maia em geral, que maravilhou arqueólogos e astrônomos com a sua capacidade matemática, de um lado, e seu enlevo artístico/criativo, do outro! Alguns a diriam sublime, e através dela se conseguiram resultados tremendos, do ponto de vista da precisão dos resultados de previsões de resultados agrícolas e alinhamentos estelares... Um desenho como esse que postei hoje é um estudo de personagem, parte de um processo às vezes lento e às vezes rápido, de estabelecimento de uma base de trabalho...só se desenha repetidas vezes, a partir de diversos pontos de vista, quem já se conhece bem!! Bom, o que é que tem isso tudo a ver com o magnífico filme de Clint Eastwood, "Gran Torino", que tá fazendo parte do título do post de hoje ? "Gran Torino", de forma aprofundada, finalizada, é um estudo de personagem também! Claro, não é só sua premissa gráfica feito a Dafne aqui do lado, mas um estudo acabado, "estereofônico". Não estou falando do pistoleiro quase sem nome, impiedoso e lacônico, que percorreu a maioria dos filmes em que Eastwood atuou, na primeira fase da sua carreira. Não. Mas do Dirty Harry, o policial durão, pragmático, que estreou no na época violentíssimo, se não me engano, "Magnum 44", que mandou bala, decidido, numa ampla conspiração de... corrupção policial! Através dos filmes que fez com esse quase estereótipo, porém revisado, como tudo de respeito hoje em dia, Eastwood vem estudando esse personagem do cana durão mas de bom coração, tanto quanto o pistoleiro solitário de que falei antes, e que desembocou no igualmente excelente "Os Imperdoáveis". Lá ele fez isso revisando o mito do caubói por dentro, aqui o do policial. "Gran Torino" mostra um homem que tem que estar à altura do mito e decide encarar o desafio. Agora , o que é bonito é que ele faz isso ultrapassando, se livrando dos preconceitos que foram usados na construção do mesmo mito do qual escolhe estar à atura, para lutar o bom combate. A clareza com que vê esse bom combate na sua frente é o que comove. Incluem séria auto-revisão, mas bem discreta... As atitudes que toma surpreendem pela radicalidade e pela maestria. Um trabalho desses é um coroamento e exige maturidade. No caso de Clint Eastwood, a sua maturidade aflora Conradiana, conquistada no fogo de sabe-se lá quantas aventuras extraordinárias, agora revistas à luz dura da atualidade que sabe criticar seu passado... O que eu e Allan, com muita calma, estamos começando (sempre começando, o Brasil é a terra dos começos, ainda que alguns levem a bom termo) é a procura de um personagem que dê foco, que seja retrato desse histórico projetivo , a FC com que mais uma vez voltamos a conversar... a renovação da cosmosfera terrestre é uma aventura ainda por narrar... Sim,por outro lado o "mês" de Poe continua, esse foi um intervalo , devido a uns singelos probleminhas de produção, mas nosso POEta volta logo!

sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

O Corvo-Corben volta ao assunto




Caramba! O Corben dá trabalho, sim! Mas vale a pena! Não consegui fugir do seu jeitão tridimensional, não!! O caso é que, já depois do fim da Warren, muitos anos depois, no selo contemporâneo MAX, da Marvel, voltado a conteúdos mais adultos, ele e o roteirista Rich Margopopulos, com mais páginas pra cada hq, voltaram à obra de Poe! Nada contra se voltar a um tema! Contanto que não se faça a mesma coisa! Nesse novo caso, se dedicaram a hqs inspiradas por sua poesia e procurando inovar no tratamento dos poucos contos adaptados, entre os quais, sim, "O Coração Revelador", com o qual Os dois não mexeram, na época da Warren.A preocupação de não se repetir no tratamento do Corvo é evidente . Pode-se ver nas ilustrações do post de hoje: ficou mais entusiasmado, sem perder a classe. Corben e Margopulos injetaram foi mais sexo na sua leitura de Poe. Um beijo como o que está aqui nunca foi escrito pelo POEta, suspeito. Outra coisa: a minissérie teve três números,cada qual trazendo três textos dele pra quadrinhos, sempre com rendimento final diferente do proposto pelo Poeta. Um desses textos seria algo conhecido e os outros dois sempre poemas escolhidos a dedo. O texto principal do primeiro número é esse tratamento do Corvo... A "vantagem" de um tal tratamento é que permite publicar o original, isto é, o poema, por inteiro, junto da hq que inspira. O pacote é bacana, ainda que , como toda releitura, não seja muito fiel ao original...Bem, uh...carpe diem!!